O futuro está próximo!
Vivemos numa era tão desenvolvida em termos científico e tecnológico que nem nos apercebemos do lado negativo da grande evolução das tecno ciências. Esse enorme desenvolvimento trouxe muitos benefícios ao Homem, que tão fascinado ficou cego dos males que dai podem advir.
Apesar de facilitar a vida ao homem e melhorá-la, de um modo geral, a tecno ciência tem o seu lado maléfico que e questionado desde 1945 aquando dos acontecimentos de Hiroxima e Nagasaki. Estes e outros acontecimentos evidenciam a ambiguidade que o desenvolvimento da tecno ciência traz consigo. Mas ao que parece, passaram e continuam a passar despercebidos aos olhos de grande parte da Humanidade.
A ciência comanda e é comandada pelos nossos destinos. Só por si o desenvolvimento das tecno ciências não representa perigo algum, mas a ambição dos políticos e dos Homens do poder é que o torna perigoso. Mas porque falar da ciência numa perspectiva futura?
Vejamos: a tecno ciência está presente em tudo na nossa vida, os aspectos mais elementares do quotidiano estão ligados a ela.
O Homem desenvolveu a tecno ciência de tal maneira que perdeu a noção, ou não tem plena consciência do seu desenvolvimento, das consequências nocivas que daí podem advir.
A civilização científico-tecnológica em que vivemos, além de progressos, traz muitos subdesenvolvimentos e retrocessos que levantam crises no sentido de criar muitas incertezas sobre o futuro que está aí perante a nós.
Estamos perante um cenário em que não sabemos se os progressos de que tanto se fala serão vencidos pelos retrocessos e crises que se levantam a cada dia.
Mas, e apesar de tudo isto, quanto a mim o futuro está aberto!
Há quem diga que o mundo está perdido – que não há remédio que o cure; os conflitos, as guerras entre o oriente e o ocidente, entre as religiões… enfim, os acontecimentos históricos a que vamos assistindo diariamente, levam a crer que o porvir será um desastre irrevogável.
Não podemos esquecer-nos que o futuro não está sujeito à predestinação, mas depende da nossa liberdade! Enquanto não vivermos o futuro não saberemos como irá se desenhar o destino: se no sentido da evolução ou da involução da Humanidade.
Digo-vos, pois, que o futuro está aberto porque enquanto houver vida há esperança e a esperança, como todos sabemos, é a última a morrer. Ou seja, o futuro está nas mãos de cada um de nós. Carregamos uma grande responsabilidade individual e colectiva que, no fundo, irá ditar o amanhã. Talvez me perguntem se tenho ou não consciência da actual crise. Esta é a questão central. Os principais mentores da famosa evolução da Humanidade, do grande desenvolvimento tecnocientífico, encobrem muitas vezes um subdesenvolvimento ético cada vez mais acentuado.
Como dizia Morin, “ciência sem consciência é a ruína da alma!”.
Volto a afirmar que o futuro está aberto! Pois creio que a consciência que cada um de nós tem do perigo que o futuro pode representar, suscitará nos jovens um desejo – que, creio eu, será mais que isso, porque é uma força – de mudar a tendência desastrosa ao qual o mundo caminha.
Não é certo afirmar que o futuro está perdido, ou pior, que não existe. É certo que temos a tendência de fazer o que a maioria faz, pois temos em mente que só o nosso esforço não basta para transformar o mundo. Assim, renegamos a função para a qual fomos libertos da caverna, que era a de regressar à caverna e falar da verdadeira realidade aos nossos irmãos que ainda se encontram presos na caverna – falo pela voz de Platão.
Não hesito em convidar todos para viver com intensidade o presente e nunca deixar de lutar, nunca desistir, pois nenhuma verdade é definitiva e enquanto houver vida tem de haver esperança e, sobretudo, nunca se esquecer de voltar à caverna para tentar libertar todos os que nela ainda se encontram presos!
Lutemos para contrariar a fórmula de Saint-Jost: “Todas as artes têm produzido maravilhas, só a arte de governar tem produzido apenas monstros.”, pois parecendo que não, nela se encontra uma das maiores bases do porvir.
Jamais se esqueça, é você quem decide!
por Amerali Sambo